domingo, 22 de fevereiro de 2015

RIOT GRRRLS: AS GUERREIRAS DO PUNK ROCK/HARDCORE!

Por Vitor Reis - Editor do Decibéis Alternativos Blog

O movimento Riot Grrrl surgiu nos anos 90 como uma proposta de engajamento politico de garotas dentro da cena Punk Rock/HardCore e do rock alternativo, desde sempre dominada por homens. Não dá pra negar que a sonoridade do HardCore é agressiva e por vezes, violenta - dentro de suas temáticas politicas e de vivências cotidianas - o que fez deste gênero musical ser quase apenas um nicho masculino. Obviamente, existem exceções, e dentre elas posso citar que nos primeiros anos do movimento punk, garotas como Siouxie Sioux e Deborah Harry eram vocalistas de suas respectivas bandas. Já nos anos 80, Kira Roessler assumiu o contrabaixo do Black Flag de Henry Rollins. Porém, pediu demissão por divergências envolvendo o "machismo predominante" na banda, segundo ela relatou no documentário "American Hardcore". Kira disse que não havia sentido ela "estar em uma banda que odiavam as mulheres(sic)."
Desta mesma época, no Brasil, as Mercenárias são o exemplo mais latente de bandas envolvendo mulheres e, um pouco mais tarde, nos anos 90;  Dominatrix, Toxoplasmose e Bulimia entre outras estariam levando a bandeira das feministas do underground, se posso me expressar assim.

Kira Roessler do Black Flag - A primeira Riot Grrrl ??

DOMINATRIX

L7

Mas e o movimento Riot Girrrl ? Como escrevi antes, ele surgiu nos anos 90 através do ativismo politico e artístico de mulheres como Kathleen Hanna (Bikini Kill), Kim Gordon(Sonic Youth), Kim Deal (The Breeders) e todas as garotas do L7, entre outras bandas e grupos/coletivos.
E o que elas queriam ? Uma vez que o Punk Rock tem por base ideológica a manifestação de idéias e de questionamentos sobre as questões políticas que envolvem as pessoas, estas meninas queriam lutar pelos seus direitos. Direito de ter igualdade perante ao homem, de defender sua liberdade sexual, de não se submeter diante ao machismo, do anti-sexismo (logicamente) e também de viver a vida por suas convicções. Nada mais coerente do que esta cena nascer das entranhas do hardcore, uma vez que a maioria dos elementos libertários da música radical está envolvida com a cena H.C., ou pelo menos deveria estar.
E o movimento, que traz angustias e esperanças destas mulheres, se espalhou pelo globo. Dos E.U.A até o Brasil, passando pelas Pussy Riots da Russia, as Riot Grrrls estão provando que além de existirem, ainda resistem por seus ideias !!

COLETÂNEA "MORE MUSIC LESS MACHO"
Provando  que a cena Riot Grrrl está mais viva do que nunca - e provocando os machistas de plantão - um coletivo de garotas da Alemanha resolveu lançar a Coletânea  "More Music Less Macho", com o objetivo de divulgar as bandas atuais. E o melhor é que o download é gratuito !!
Esta compilação traz bandas bem distintas entre sí, e posso destacar o som ambiente de Abstract Random e o punk quase gótico da banda Baby Fire. Porém, meu maior destaque vai para as paulistas do Anti-Corpos e seu hardcore simples, gritado e de fazer a roda de pogo pegar fogo. No mais, são mais de 40 músicas divididas em 2 downloads. Não poderia deixar de comentar o grande cover das Ramonas para "Blitzkrieg Bop" dos quatro cabeludos punks do Queens. Não perca tempo e faça o download !!!







domingo, 8 de fevereiro de 2015

POLÍTICA DO COTIDIANO: É POSSÍVEL ?

Por Vitor Reis - Editor do Decibeis Alternativos Blog

Quem, hoje em dia, não se indigna com as manchetes dos jornais relacionadas à politica? Quem não sente-se enojado, ou até mesmo, revoltado - e revolta NÃO é algo ruim, dependendo de como "se revolta" - com os casos de corrupção, favorecimento financeiro à grupos específicos, propinas, peculatos, enfim... são demasiados os fatos que nos chegam aos olhos e ouvidos diariamente, corroborando com a ideia da falência do sistema politico-partidário e seu modo-operandi.
Mas... quem faz algo para mudar isso ??? Ultimamente, esta é uma pergunta que não me sai da cabeça !
Seja nas ruas, nos bares, nos ponto de ônibus, e principalmente, nas redes sociais, as palavras de ordem e de indignação estão sempre presentes, como uma música que gruda na cabeça, como um bordão de comediante, que nos faz rir, até desmascarar a tragédia a que nos encontramos: uma sociedade que se encontra com  demasiados problemas de ordem social e econômica, além da ecológica (água, energia, desmatamento,etc) que coloca uma importante questão a se pensar: Até quando ? Até quando suportaremos tudo o que é empurrado de cima para baixo, falindo nossa "jovem democracia" e cimentando o jazigo de nossa esperança?
 Muitos vão dizer que: 
-  "Esperança ? !? Já não há isso para nosso país"... 
Se encontram descrentes de que se possa ser feito algo a mais, de que um dia a situação que nos encontramos possa mudar, descrentes de que o amanha pode ser melhor que hoje...
Outros dirão:
- "Em nossas mãos está nosso destino!"*
Certa dose de otimismo,talvez ingenuidade, que reflete em uma voz ativa contra as mazelas que presenciamos.
Pois bem !!  São posicionamentos diante das questões que estou escrevendo aqui. E que, cada vez mais, como relatei acima, estão nas ruas e também na internet. E mais uma vez pergunto:
Quem faz algo para mudar esta situação?
Este é  meu maior questionamento, decerto angustiante, quanto as centenas de posts que vejo diariamente na internet ou as dezenas de comentários que escuto nas ruas. Porque, como diz meu velho pai: - "falar é muito fácil" e escrever, como estou fazendo, também. Mas deve haver algum antidoto para todo esse marasmo politico e este falatório indiscriminado - para que realmente haja um objetivo concreto - e que possa ser realizado,pois toda teoria necessita de uma práxis para que possa ser útil aos nossos desejos e anseios.
E a política está muito além do voto. Ela é presente em nossa vida cotidiana, em nossas casas, em nossa comunidade, no trabalho, nas relações com os amigos e com as pessoas em geral. Ela é partidária, mas também é cotidiana, pois o próprio ato de nos comunicarmos e nos portarmos "desda ou daquela maneira" já é um fator politico. E politizante. E também deve pertencer ao povo. Noam Chomsky, renomado linguista e escritor, diz em seu livro "Para Entender o Poder",em respeito das mudanças ocorridas na America do Norte, nos anos 60, que: "(...) Os verdadeiros agentes de mudanças eram pessoas trabalhando nas camadas populares, como ativistas (...)."


Ou seja: A politica também pode ser feita por pessoas simples, que estão nas ruas, as mesmas que comentam todos os fatos que as indignam, mas com um diferença: Sabem sair das amarras das quais estão inertes, ao qual só a boca fala - e os dedos teclam - e tudo termina. Satisfação pela palavra. A psicanalise explica...
Mas a questão é: Como nos movimentamos ? Como sair do "Mito da Caverna Platônico" ao qual estamos inseridos ?? E mais importante... Desejamos isso ? Ou basta a próxima festa para nossa inércia - ou pior - nossa entropia social nos bastar ?
Rosa Luxembrugo, a revolucionária polonesa assassinada por seguidores de Adolph Hitler, dizia: -"Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem!".
Acho esta frase muito oportuna para o que estou escrevendo, uma vez que a "entropia social" a que estamos presos apenas se rende a alguns posts de internet e consciência tranquila. E creio que seja esta a equação para o equilíbrio e a iniciação da nossa politica cotidiana. A consciência de que estamos "presos" à um sistema que gera miserabilidade, corrupção e alienação, e a tentativa de superação desta situação, bem como o foco no desejo de compreender a situação ao qual chegamos - e novamente - superá-la.
Enfim... para se fazer politica do cotidiano, há a necessidade de se entender como agente politico. Para isso, não basta apenas votar de quatro em quatro anos. Existe mais a ser feito. Grêmios estudantis, Conselhos Populares, Movimentos Sociais, ONGs e suas diversas causas, Conselhos Comunitários e de direitos das Crianças, Adolescentes e Idosos, bem como a participação ativa em manifestações são alguns tipos de modo-operandi que possuímos para realizar nossa práxis politica. Isso demanda trabalho, estudo, organização, consciência de classe e também amor, para que nossa nação possa sair desta situação a que chegou. E, mesmo que eu esteja sendo impertinente, pergunto:
Você quer quebrar as correntes ?


domingo, 2 de novembro de 2014

RESENHA DE DISCO - RANCID: HONOR IS ALL WE KNOW

Quem viveu os anos 90 sabe da importância do RANCID para o punk rock mundial. Uns sujeitos de moicanos imensos, cantando em suas músicas histórias sobre bares, amores perdidos, as ruas,os becos e avenidas... tudo embalado por uma mistura de punk rock, ska, rockabilly e até reggae; isso sem contar a influência do THE CLASH de Joe Strummer, referencia máximas dos punks Californianos.
A formação musical do RANCID sempre foi a cereja do bolo de suas composições. Tim Armstrong (vocais - guitarra) e Matt Freeman (vocais - contrabaixo) - ex-integrantes do Operation Ivy, banda seminal que uniu ska, hardcore e punk rock de uma maneira magnífica - formaram a banda em 1991 juntamente com o baterista Brett Reed. Em 1994, Lars Frederiksen, ex-guitarrista do legendário U.K. SUBS, entraria para a trupe, sendo peça fundamental nas composições do RANCID, uma vez que trouxe influências da musica Oi e elementos mais "casca-grossa" dos punks suburbanos. Atualmente, a formação conta com Branden Steinecket nas baquetas. Discos como "Rancid",  "Let´s Go", "And Out Come The Wolves" e "Life Won´t Wait" já sedimentaram a sonoridade do grupo.
Vale lembrar que o RANCID  foi muito injustiçado pela mídia nos anos 90 pois eram tachados de "punks falsos" e estarem na onda do chamado "retorno do punk" rotulado por esta mesma imprensa. Nada mais ridículo, uma vez que o movimento punk sempre esteve vivo no underground e as credenciais musicais e o currículo dos californianos já dizia tudo. E a imprensa... bom, deixa pra lá...

Antiga formação: Lars Frederiksen, Matt Freeman, Tim Armstrong e Brett Reed

A diversidade cultural dos sujeitos não para por aí e é evidenciada nos "projetos paralelos" deles. Ressalto que Tim Armstrong é artista solo, sendo que também já participou dos TRANSPLANTS. Lars Frederiksen tem seu projeto LARS FREDERIKSEN AND THE BASTARDS e atualmente solta uns gritos na OLD FIRM CASUALS.
Mas o que importa aqui e o novo disco dos caras, e sinceramente, Honor Is all I know é uma cacetada na orelha !! um destes discos pra você ouvir no ultimo volume para influenciar - ou incomodar - seu vizinho. Mas brincadeiras à parte, o disco é um exemplo de que os três acordes do punk rock podem se regenerar e se transformar através dos tempos, ainda mais quando se fala de músicos com talento. Então, vamos falar dos destaques !!
O disco abre com "Back Were I Belong", rápida e com os característicos backing vocals da banda. Segue com "Raise Your First" - um levante contra o sistema, claro tema de punks da velha e nova escola, com berros de Oi Oi Oi ao fundo, e isso diz tudo. Sem perder o pique, "Collision Curse" pode ser trilha sonora de bebedeiras de cerveja e pogos animados dentro e fora de casa - tentando não quebrar nada - já que a musica pede uns pulos. O ska core, alma da banda, está presente em "Evil´s My Friend" e Everybody´s Suffering"; sendo amostra da elaborada conceituação musical destes sujeitos."Honor Is All I Know" que dá nome ao CD, tem o melhor do RANCID: guitarras abafadas em meio ao contrabaixo abarrotado de notas e bateria ríspida. Não precisa de mais nada. Isso é punk rock e nós sabemos como é bom... As outras canções dão o tom: menos de três minutos em que são contadas os temas e estórias clássicas da banda.
Por estas e outras que este disco merce ser ouvido. Entre no link abaixo da capa do CD e confira a pedrada que é "Honor Is All I Know".


Nova formação: Matt Freeman, Tim Armstrong, Branden Steinecket e Lars Frederiksen

domingo, 10 de novembro de 2013

ANARCO-PUNK: REVOLUÇÃO DENTRO DA REVOLUÇÃO

Por: Vitor Reis

(ANTI) GÊNESE:



As origens do movimento anarco-punk não são tão claras quanto ao estrondo músico-comportamental que varreu o planeta em 1977 denominado movimento punk. Talvez por que a sua gênese foi se formando em bandas que pertenceriam a 2° geração do punk e que denominariam HardCore, não só pelo fato de se diferenciarem da 1° geração mas pelo apelo estético, político e visceral deste.
Porém, se não é fácil datar o início deste movimento fundamental para a continuação da tão falada "cultura punk", pode-se conclamar que bandas como CRASS e Millions Of Dead Cops (M.D.C.), sendo a primeira britânica e a segunda norte-americana, são as mais antigas e propagadoras deste subgênero músical. A relação desta paternidade é clara: Músicas rápidas, barulhentas e de alto teor questionador, no sentido político da coisa. Mas que estavam além disso, uma vez que as próprias bandas se denominavam anarquistas, não pelo puro belprazer de chocar a sociedade, mas por uma alternativa de re-construção desta, se posso colocar nestes termos. 
Um exemplo disso é o fato dos mebros do CRASS viverem em uma comunidade alternativa auto-gestionária(onde alguns deles vivem até hoje !!). Ora, puristas dirão que vivem iguais aos hippies... Mas o hiato de gerações não quer dizer que não comunguem de certas opiniões e hábitos. O M.D.C. apoiava (e ainda apoia) organizações anarquistas nos E.U.A. e do resto do planeta. Nos encartes dos discos fica claro este apoio mútuo.

M.D.C.

CRASS


2° GERAÇÃO DO PUNK( ANOS 80 E A CONTINUAÇÃO DA CONTRA-CONTRA-CULTURA)

Os anos 80 se iniciam como uma década perpassada pela austeridade política e governamental, uma vez que Ronald Reagan e Margareth Tatcher acendem a vela do bolo neoliberal e conservador sendo aceitos de bom grado por políticos militares da estirpe de João Fugueiredo no Brasil. 
Como o punk é uma alternativa (anti)política, mas muito politizadora, a 2° geração do moviemento capitaneada por bandas como CONFLICT, DISCHARGE, DOOM, THE VARUKERS, REAGAN YOUTH, KAAOS; EXECRADORES, PÓS GUERRA, LIXO URBANO e METROPOLIXO são as mais evidentes do Brasil, cada qual usando a arte para simbolizar aquilo que acreditavam: Anarquismo, socialismo libertário, pacifismo, "guerra de classes", ação direta. 
É interessante notar que aqui surge uma cosncientização de nível mais global, onde a participação em diversos grupos de cunho político e ecológico fazem frente contra o neoliberalismo.

DISCHARGE

MODO OPERANDI:

As lições deixadas pelos anarqusitas do passado como Mikhail Bakunin e Errico Malatesta foram bem aprendidas pelos anarco-punks, no que tange ao modo de ação destes. Assim, a ação direta, manifestações, elaboração de periódicos ácratas, autogestão, entre outros fatores anárquicos foram fundamentais na contrução ideológica e de base deste movimento. 
O apoio a causas das "minorias" também possuem um grande destaque, uma vez que a anti-homofobia, o anti-racismo, anti-machismo, apoio a causas ecológicas, veganismo, crítica do Capital em suas múltiplas formas de dominação, enfim: uma nova alternativa ao que solapa os seres humanos.

ANARCO-PUNK EM TERRAS BRASILIS:

Uma vez que o movimento punk chega ao Brasil em S.P. no final da década de 70 e cria adeptos de sua estética corpotamental e musical, nada mais justo do que encontrar também sujeitos que se identifiquel com os princípios anarquistas e com os três acordes que são libertadores da segregação musical. 
Será no início dos anos 90 que grupos ligados às Juventudes Libertárias e Uniões Libertárias que se organizam de modo horizontal e ácrata que estes primeiros indícios de anarco-punk serão vistos(e ouvidos) no país. O Coletivo Altruísta lançaria em 1993 a D.T. Muito Além do Barulho com as bandas METROPOLIXO, EXECRADORES, DESERTOR E ATITUDE CONSCIENTE, sendo o primeiro registro de bandas anarco-punks, que pelo menos se tem notícia. Logicamente, outros grupos surgiriam como PÓS-GUERRA(Com vocal femnino), LIXO URBANO, MISANTROPIA, entre tantas outras que seriam lançadas no L.P. Cenas Anarco-Punks, um registro histórico do moviemento no Brasil,datado de 1995.



TACHAS, ARREBITES E PÃO DE QUEIJO: ANARCO-PUNK EM MINAS GERAIS

Quem é mineiro sabe que Minas Gerais é terra de Milton nascimento e do Clube da Esquina. Mas também é terra de indivíduos tão questionadores quanto estes(cada qual em sua medida de inconformação). Por isso o moviemento anarco-punk não passaria despercebido. 
Em 1992 tive contato com a cultura punk e já fazia parte do movimento.Mas foi em 1994 que junto á alguns amigos formamos dentro da saudosa União Libertária do Sul de Minas Gerais (ULSMG) um grupo de indivíduos que se intitulavam punks e anarquistas, que se denominou M.A.P., ou seja, Movimento Anarco-Punk. Editávamos fanzines (meu aperiódico que fundei em 1993 se chamava "Sem Autoridade") e haviam bandas como ÓDIO REVOLTA, de Milo So,  Robert e Rodolfo, da cidade de Lavras; PROTESTO SUBURBANO de Três Corações e VACA NOISE, grupo de noise grind (se posso falar desta forma) de amigas como Sabrina, Carolina, Dorinha e Fatinha, também de Lavras. Elas não eram anarco-punks, mas vale aqui o registro.
Foi com este grupo que se fizeram vários encontros como o 1° e 2° PUNK UAI, de música e cultura punks do Sul de Minas. Durou pouco tempo, como os grupos devem ser, mas deixou marcas históricas na vida de cada um que paticipou, inclusive da minha.
Foi um espaço de discussões, manifestações e protestos, além da divulgação do ideal anarquista. Tempo que não se perdeu por se passarem quase 20 anos, mas se concretizou nas ações que cada um escolheu para continuar suas vidas.


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domingo, 3 de novembro de 2013

ALERTA ANTIFASCISTA !!!!

O fascismo surgiu na itália de Benito Mussolini na decada de 20 do século passado. Suas concepções teóricas compõe à incitação à guerra, ao fortalecimento do poder do Estado contra o indivíuo, à xenofobia, ao nacionalismo e o culto à pátria como um fim e não um meio, à anti-democracia e consequentemente contrário á liberdade individual e coletiva. Estes ideiais se uniram à causa de Adolph Hitler que, como se sabe, criou um movimento político denominado nazismo que tinha como objetivo primordial a "pureza da raça humana".
Porém, os movimentos de cunho libertário não se calaram perante a balbúrdia nazifascista. Anarquistas, comunistas, operários, livres pensadores e demais antifascistas se uniram na luta contra o avanço da direita. Um exemplo clássico foram as lutas de operários e camponeses na Guerra Civil Espanhola, com participação da Federação Anarqusita Ibérica (F.A.I.) e do Partido Obreiro de Unificação Marxista (P.O.U.M) contra o regime ditatorial de Francisco Franco.


Atualmente, há um crescimento do ideal nazi-fascista, seja em movimentos de juventude, seja nos velhos partidos políticos que defendem veladamente este ideal. Assim, mais do que nunca, a luta antifascista se faz necessária, principalmente dentro da cena HardCore Punk, que sempre se prezou por princípios libertários e anarquistas. A liberdade do indivíduo, o respeito às suas decisões, seu direito de manifestar e além disso, seu direito de organização popular é por demais caro para que seja derrubado por mesquinharias nazifascistas. O reconhecimento do ser humano enquanto protagonista de sua história não deve ser subordinado ao controle político do nazifascismo, que em seus ideiais subjulga qualquer forma de manifestação do livre pensamento. Ademais, já é hora de desmistificar a segregação e o ideal ariano de raça pura, tão falso quanto a personificação do líder como única opção de regulação da ordem social.
Antifascistas Sempre !! Viva a Luta Libertária !! Viva S.H.A.R.P !! Viva ANTIFA !!
Por Vitor Reis

AÇÃO ANTIFASCISTA !!!!!


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lou Reed: 1942-2013

Lou Reed se foi... A notícia chegou para mim na Folha de São Paulo que ilustrou a morte do músico em manchete de capa. Primeiro, achei inacreditável. Depois, continuei a achar inacreditável. Pareceu-me irreal... Mas era real até demais.

Lou Reed foi um verdadeiro outsider do rock and roll, um existencialista, um performer, um rocker nato (na medida da rebeldia e transgressão e não na banalidade do rockstar tosco). De seus tempos de Velvet Underground, banda seminal que criou o rock alternativo (e milhares de bandas copiariam sua estética/temática desde os tempos imemoriais,ou podemos dizer,desde os anos 80), até sua carreira solo; Reed sempre esteve na contra-mão do comércio insosso que tomou grande parte do estilo musical que faz moleques e coroas agitarem pelo mundo afora – o rock and roll – e escreveu sobre a vida em seu sentido mais fatídico: a barra pesada das ruas, as drogas, o submundo, os desiludidos, os perdidos, aqueles que nem mais voz tinham... Não serei ingênuo de escrever que Reed queria ser a “voz dos sem voz”, mas ele “pintou” um retrato destas  pessoas em suas músicas. Arrisco a dizer que ele era o Rimboud do rock, sem exageros ou eufemismos... Rude, verídico e virulento na medida certa, este senhor que faleceu no dia 27 de outubro aos 71 anos fará falta ao mundo do rock and roll. A honestidade e a crueza das suas músicas (anti)pop que destilam vivências humanas e febris estarão gravadas nos corações, almas e mentes de gerações, além dos discos que ele deixou. Mas faltará algo... a presença física, e quanto a isso não há o que fazer. Talvez ouvir a música e sentir a presença. Talvez isso baste. Talvez.
Por Vitor Reis



quarta-feira, 19 de junho de 2013

A PÁTRIA QUEIMA AS CHUTEIRAS: PEQUENA ELEGIA PARA UMA REVOLUÇÃO.


O Brasil sempre foi considerado como o país do futebol...  suas conquistas mundiais surgiram à partir dos anos 50 do século XX  com “advento” das cinco copas conquistadas em que o país ficou conhecido como “a pátria de chuteiras”, na frase de Nelson Rodrigues. Jornalistas, locutores, esportistas de todos os países sempre enaltecem a alegria deste país ser um pentacampeão de futebol.
Porém, onde está a felicidade de levantar a taça que não está nas mesas, nos rostos, nos sorrisos... Com certeza não esta está nas escolas onde professores trabalham por salários absurdamente baixos, nem nos hospitais sucateados pelo hipocrátes neoliberal, muito menos na eterna indústria que da sêca que seca vidas e sonhos pelo nordeste afora... Não está no rosto do pai de família que sustenta sua casa com salário mínimo, nem no olhar da mãe solteira que cuida de seus filhos à despeito dos olhares preconceituosos daqueles que julgam a condição de estado civil de uma mulher...
Inacreditável ver que um país que levantou a taça cinco vezes não consegue ser campeão em escolaridade, saúde e distribuição de renda... Mas que pode, de maneira indiscriminada, minar seus próprios torcedores desde a mais tenra infância, seja com a miserabilidade em que submete seu povo ou na violência cada vez mais deflagrada contra as criança e os adolescentes, ainda em termos de culpar estes por tal abuso contra seus próprios direitos !! 
A parte de toda essa situação, no dia 17 de junho em Belo Horizonte, é de fazer tremer de indignação o fato de ouvir um oficial da PM dizer em rede nacional que uma manifestação vai até “onde permitem os limites estabelecidos pela FIFA”.  Sinceramente, isso é inadmissível! Desde quando devemos aceitar que um grupelho esportivo diga qual é o nosso limite enquanto cidadãos? Desde quando devemos nos submeter aos caprichos de uma copa, que não é assistida peça maioria de seus torcedores? Desde quando devemos acatar(esta é a palavra, acatar, ou seja aceitar sem questionar ou parlamentar) que seja gasto de cofres públicos R$ 28 bilhões da copa do mundo até agora? E as necessidades realmente “públicas” como citei acima, de saúde, educação, moradia, alimentação...


Eu diria que esta na hora de radicalizar, ou seja, da pátria queimar as chuteiras !! Boicotar as duas copas e as olimpíadas, fazer com que sua voz seja ouvida, ou pelo menos que a FIFA não ganhe um centavo de um cidadão deste país com seu espetáculo financiado ás custas das pessoas que não tem o direito de ir ver um jogo destes,até por que a renda destas pessoas não permite isso. I
Ironizando os manifestantes, o presidente da FIFA Joseph Blatter declarou que "o futebol é mais importante que a insatisfação do povo". Comentário que chega á ser no mínimo ridículo e desrespeitoso e que deveria se retratado pelo senhor em questão.Ademais, chega á ser lamentável que dois ex-representantes da “seleção canarinho” desprezarem a marcha das ruas em prol do espetáculo insosso desta copa das confederações. Ronaldo “Fenômeno” diz que não sfaz estádio com hospitais e Pelé pede que se esqueçam das manifestações para apoiar a seleção brasileira...Seria cômico para nãos ser trágico... A fala retórica e rebuscada dos dois “baluartes” do esporte se nivela ao discurso mais medíocre da atualidade, tal qual o de Blatter. Mas sabemos o que este discurso significa.  atrelamento ao capitalismo em detrimento aos direitos sociais.
Ao contrário do que Pelé pediu a população, as manifestações estão aumentando e chegando às pequenas cidades e sendo abraçadas pelas mais diversas pessoas... Os gritos de indignação ecoam, os mais variados grupos se unem, de modo apartidário e inclusivo, na busca por soluções que possa transformar estes tempos... Isso nos inflama o peito e nos faz sair ás ruas... Que se queimem as chuteiras e que se destrone o Rei... os tempos são outros e a hora é da revolução !!!

Joseph Blatter - presidente da FIFA

PARA CONHECIMENTO DE CAUSA: