sábado, 23 de abril de 2011

EM CARTAZ: VERDURADA 2011 !!!!




Um dos mais emblemáticos festivais da cena straight edge acontecerá no dia 5 de junho de 2011na cidade de São Paulo. Para quem não sabe, o verdurada é um evento que discute vegetarianismo, politica, arte alternativa, além de apresentar bandas do meio hardcore/punk, sejam elas straight edges ou não. O Verdurada é realizado de modo auto-gestionário, ou seja, quem trabalha na sua divulgação e no próprio evento faz pela causa vegan, sem apoio de gravadoras ou empresas. A renda do festival é usada no proprio coletivo.No final do show ainda é servido um jantar vegano aos participantes.

VERDURADA - Domingo dia 05/06 as 16h
R$ 10

Bandas:

"Relançando o LP split RDP/Cólera Ao Vivo 1985":
CÓLERA e PERIFERIA S/A
www.myspace.com/coleraoficialwww.myspace.com/periferiasapunkrock

POSITIVE YOUTH
www.myspace.com/positivexyouth

RALPH MACCHIO
http://www.myspace.com/ralphmacchiohc

PUSHMONGOS
http://www.myspace.com/thepushmongos

Debate sobre o movimento Passe Livre.

Jantar VEGetAriaNo após o show e sorteio de Shapes!!!!

Os ingressos ainda não estão à venda. Aguardem mais informações.

XXX POR FAVOR SEM CIGARROS E SEM ALCOOL XXX

domingo, 17 de abril de 2011

ELDORADO DOS CARAJÁS - 15 ANOS DE IMPUNIDADE!!





Carajás 15 anos, o massacre presente

Aniversário da chacina lembra a necessidade de punição aos assassinos e de tratamento e indenização às vítimas
15/04/2011

Márcio Zonta
de Eldorado dos Carajás (PA)

Reportagem publicada no jornal Brasil de Fato - Abril de 2011


Ao andar pelas ruas da vila do assentamento 17 de abril em Eldorado dos Carajás, ainda escuta-se muitas histórias sobre a marcha que culminou no massacre da curva do S, na rodovia PA 150, em Eldorado do Carajás, há 15 anos. Os sobreviventes ainda têm dúvidas quanto ao número oficial de mortos divulgados pelo Estado, pois há crianças, homens e mulheres desaparecidos que não estavam na lista dos mortos e, tampouco, foram encontrados depois. As marcas do massacre persistem tanto na simbologia da conquista das cinco fazendas, parte das 15 existentes no complexo Macaxeira, quanto no corpo dos mutilados ou na cabeça de muitos que viveram aquele 17 de abril de 1996.
“Foi a tarde mais sangrenta da minha vida”, recorda Haroldo Jesus de Oliveira, o primeiro sobrevivente a conversar com a reportagem. Quem o vê trabalhando atencioso e calmo na Casa Digital 17 de abril, monitorando jovens e crianças no manuseio da internet, não imagina as recordações que ele guarda. “Acordamos felizes naquela manhã do dia 17, pois o Coronel Pantoja, junto a uma comissão, do então governador Almir Gabriel (PSDB), disse que daria os ônibus para que fossemos até Belém, onde pressionaríamos o governo para desapropriação dessas terras. Inclusive, já tínhamos desobstruído a rodovia na noite anterior, já que esse era nosso acordo, e preparado a alimentação para as famílias que participavam da marcha”, diz Oliveira.
Onze horas da manhã venceu o prazo do acordo, e em vez de chegar os ônibus, que levariam cerca das 1,8 mil famílias da marcha, chegou o batalhão da Polícia Militar, o que fez com que as famílias retomassem a estrada. “Eu me lembro como se fosse hoje. Estávamos de prato na mão, almoçando, sob uma chuvinha leve, um sereninho bom. Muitos homens começaram a descer dos ônibus da polícia e montar o acampamento, por volta de três da tarde, e ficaram cerca de 90 minutos preparando-se, como se fossem para uma guerra”, relata Oliveira.
Depois de estabelecidos os policiais no local, a mesma comissão disse que não providenciaria os ônibus e que tinha ordens do governador para retirar as famílias da via. “Nós nunca pensamos que poderia acontecer aquilo. Perto das 17 horas, começaram a jogar bombas de efeito moral contra as pessoas e a atirar no chão. Pessoas tomavam tiros nas pernas e caiam. Mas aqueles que iam para cima, eles atiravam no peito mesmo”. A carnificina começou naquele momento e pelas contas de Oliveira durou cerca de cinquenta minutos.
“Tive que sair pelo chão me arrastando para o miolo de gente junto à água da chuva, que se misturava com sangue, tinha muita gente no asfalto ferida, gritando, chorando...”, lembra emocionado Oliveira.

Amanhece no assentamento 17 de abril e, enquanto, muitos agricultores já estão na roça, as 7h, começa a entrada das crianças na escola que leva o nome de Oziel Alves Pereira, sem-terra de 17 anos espancado até a morte no hospital pelos policiais, por gritar palavras de ordem do MST, na noite do dia 17 de abril, em Curianópolis (PA), para onde foram levados os feridos.
Zé Carlos, companheiro de linha de frente junto a Oziel no dia do massacre, confere a mochila do filho na frente da escola, passa algumas recomendações e o beija ao se despedir. Sobre o dia da chacina, que lhe custou uma bala alojada na cabeça e a perda de um olho, Zé Carlos é enfático: “utilizaram-se de táticas de guerra”. Zé lembra que um caminhão que estava parado na estrada, por causa do bloqueio, foi oferecido às famílias como proteção. “O motorista chegou e disse: ‘vou atravessar esse caminhão na pista para ajudar vocês’. Mas estranhamente toda a ação policial iniciou-se atrás desse veículo, sendo o escudo principal deles, tapando nossa visão. Foram os policiais que pediram”, garante.
Zé conta que os policiais vinham do sentido de Parauapebas e Marabá, ambas cidades paraenses interligadas pela rodovia, além dos que saíam do meio da mata dos dois lados da pista. “Nos cercaram para matar mesmo, pois vinham de todas as direções atirando”. Segundo Zé, é difícil para quem esteve no dia aceitar o número de apenas 21 mortos ditos pelo Estado.“Isso é brincadeira. Morreu muita gente, entre homens, mulheres e crianças. Vi muita gente morta, não pode ser, Tenho até medo de falar, deixa isso para lá. Mas garanto que foi muito mais”.

Ao apagar das luzes

Como se um espetáculo tivesse acabado, ao anoitecer no dia 17 de abril, as luzes do município de Eldorado do Carajás foram apagadas e seu cenário de morte, desmontado. Essa é a sensação que teve a jovem Ozenira Paula da Silva, com 18 anos na época do acontecido. “Apagaram as luzes para desmontar o que tinham feito, para limparem a via. Jogavam corpos e mais corpos em caçambas de caminhão, que tomavam rumos diferentes”.
Após os primeiros disparos, Ozenira só teve tempo de pegar os seus três filhos, todos com menos de cinco anos, e correr para a mata ao lado, percebendo momentos depois que tinha sido baleada na perna esquerda, na altura da coxa. “Tinha muita gente escondida na mata, próximo às margens da rodovia e foi justamente essas pessoas que viram muitos corpos sendo desviados para fora do caminho do Instituto Médico Legal (IML), de Marabá, para onde eram levados os mortos”.
Ozenira diz que algo lhe intriga até hoje. “Depois que terminou a matança, uma criança branquinha de uns dois anos foi achada na escuridão do mato, aos prantos, por uma mulher que procurava seus familiares. Essa mulher a recolheu. Sei que essa criança viveu com ela bastante tempo em Curianópolis, mas depois perdi o contato”.
Onde estariam os pais da criança naquela noite? Ozenira responde: “Não tenho como provar, mas tenho quase certeza que estavam em algum caminhão de remoção de cadáveres”, finaliza.

O massacre continua

Poucos mutilados receberam seus direitos de indenização e até hoje, quinze anos depois, muitos nem recebem a pensão mensal de R$346. Ozenira é uma delas. “Fui atendida no hospital apenas no dia do acontecido, depois nunca mais tive atendimento médico, tenho dias de dores horríveis e outros de dormência na perna”, conta.
Já Zé, hoje aos 32 anos, foi um dos únicos a receber, em 2008, uma indenização de R$ 85 mil reais, mais a pensão mensal no valor citado acima. Hoje vive do que seus irmãos plantam em seu lote, já que tem dificuldades para trabalhar em função das sequelas do tiro na cabeça.
Mas, um caso em especial entre os mutilados chama a atenção. Mirson Pereira, um dos únicos que conseguiu uma cirurgia, no Hospital Regional de Marabá, para retirar uma bala alojada na perna esquerda. “Pensei que seria o fim das dores, mas quando voltei da sala de cirurgia o médico disse que havia errado e feito o corte na perna errada, disse que no outro dia realizaria o procedimento na perna certa, mas desisti, fiquei com medo e saí do hospital”. Pereira continua com a bala na perna e ainda aguarda sua indenização.
O descaso do Estado brasileiro em relação ao massacre de Eldorado dos Carajás já gerou contra o governo um processo, em 1998, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, feita pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL). “O governo brasileiro agiu de duas formas quando foi notificado pela entidade internacional. Primeiramente, culpou os próprios marchantes pelo ocorrido e, num segundo momento, por força da opinião pública, disse que já fazia coisas no assentamento, o que compensava o ocorrido”, explica Viviam Holzhacker, advogada assistente da CEJIL, que acompanha o caso.
No entanto, por pressão internacional, a advogada diz que o governo brasileiro aderiu a um processo, recentemente, de buscar acordo com os mutilados. “São feitas propostas de ambos os lados até chegar a um acordo. Deve levar mais uns cinco anos para ser resolvido o caso de todos”, explica.
Diante deste imbróglio, na ausência de um tratamento médico adequado que cuide do corpo e da mente dos participantes da marcha, Índio, um dos mutilados, com duas balas alojadas na perna esquerda desabafa: “Aconteceu o massacre em 1996. Mas ele terminou? Não! Pois esse grupo [do assentamento] ficou apenas porque o Estado não deu conta de matar no dia. Ficamos para contar a história, sofrer e ir morrendo aos poucos num massacre diário, que só terminará por completo com nossa morte”.

LINK do Jornal Brasil de fato: http://www.brasildefato.com.br/

quarta-feira, 9 de março de 2011

MORRE PHIL VANE - VOCALISTA DA BANDA EXTREME NOISE TERROR




Phil Vane, vocalista da banda inglesa EXTREME NOISE TERROR, faleceu no dia 21 de fevereiro, vitima de A.V.C.Um dos mais emblemáticos vocalistas da cena Punk Hardcore, Phil foi o precursor do que hoje chamamos de Crust-Core, ou seja, uma versão ainda mais rápida, pesada e barulhenta do Hardcore “convencional”, onde a sonoridade pode mesmo se comparar ao que seria o apocalipse, já que a massa sonora é quase ensurdecedora. Phil montou o EXTREME NOISE TERROR em 1985 junto á Dean Jones (vocal), Pete Hurley (guitarra), Jerry Clay (contrabaixo) e Pig Killer (bateria). A banda causou boa impressão no meio alternativo da época, devido ao fato de tocarem um som mais agressivo do que o “normal” além possuírem dois vocalistas, algo raro na época e que influenciou várias bandas desde então. Phil ainda fez parte da banda DISCHARGE, outro ícone do Hardcore Punk mundial, na fase em que foi gravado o LP Victmis Of War.
Phil Vane era co-autor das letras juntamente à Dean Jones, sendo que várias de suas musicas já se tornaram clássicos dentro da cena Punk como “Work For Never” (trabalhar por nada), “We The Helpless” (nós, os indefesos), Third World Genocide”(genocídio no terceiro mundo,entre outras. As musicas de Vane demonstram certa preocupação política quanto á exploração do homem pelo homem. Argutos críticos do capitalismo, o EXTREME NOISE TERROR fez escola ao influenciar varias bandas brasileiras como é o caso dos RATOS DE PORÃO, que inclusive gravaram uma versão de”Work For Never” em seu disco RDP VIVO.
Phil Vane será velado no dia 15 de março, no Colney Woodland Burial Park, em Norwich, Inglaterra. O blog DECIBÉIS ALTERNATIVOS solidariza-se com a família e os integrantes da banda neste momento. Que Phil Vane descanse em paz.

P.S. Fiquei estarrecido ao saber da morte de Phil. Sou fã do Extreme Noise Terror e a banda foi uma de minhas influências musicais. Em 1995, quando fiz parte da banda VIDAS SECAS, tocávamos o cover de “Work For Never”. Também não esqueço minha felicidade ao comprar o cd ‘The Peel Sessions” da banda na galeria do rock na cidade de São Paulo, em 1996.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PÃO COM DUREX - PUNK ROCK





“A banda toca um Punk rock simples, direto, com letras retratando o cotidiano brasileiro”... Quantas vezes não lemos em resenhas de cd´s este tipo de comentário ?? inúmeras vezes. Mas no caso do PÃO COM DUREX, a máxima pode ser levada à sério!!!! Punk rock é um som simples, direto, rápido e certeiro!!!! E estes rapazes de boa esperança sabem dar conta do recado!!!
Mas antes de dissertar sobre o cd demo dos punk rockers de boa esperança, vamos à uma pequena estória... Estava eu terminando minha aula de cidadania e ética no Propac I quando um aluno, de camiseta do Ramones(e era do filme “Rock and Roll High School, portanto não é qualquer camiseta do Ramones!!), me perguntou se eu não falaria sobre a ética dos movimentos urbanos juvenis... achei interessante a proposta. Começamos a falar sobre punk rock, hardcore, e ele me disse que tinha uma banda, de nome curioso: PÃO COM DUREX ! Qual não foi minha surpresa ao baixar na net o som dos malucos de boa esperança e me deparar com um deja vu(aquela sensação de já ter visto algo antes, que a gente tem de vez em quando) e me senti transportado para as garagens minúsculas onde meus amigos tocavam nos anos 90(e eu também!!!) além da lembrança do som da época... quase não acreditei!! Fiquei pensando como é que uns caras que nem tinham nascido naquela época podiam fazer um som tão semelhante ?? bom, aí esta o mistério da musica!!!
Os ecos musicais do PÃO COM DUREX estão atrelados ao hardcore dos anos 80, aquele praticado por bandas como RATOS DE PORÃO, CÓLERA, LOBOTOMIA, GRINDERS, e por muitos outros mais!!! A devoção da banda pelos brasilienses do D.F.C. pode ser notada no modo rasgado e “cortado” de Adrian dar seus berros no microfone, já na abertura da demo com a música “Depois do fim”. já a guitarra de Alexandro, que é a cara do D.H. Peligro dos Dead kennedys, tem um timbre bem parecido com a de Johhny Ramone... e não podia ser diferente, veja o sabor ramônico de “falsos revolucionários”, estilo punk 77, música bem cadenciada e que lembra também os GAROTOS PODRES da época do LP “Pior Que Antes”. Mas ao se focar no hardcore mais “americanizado” (tipo Minor Threat), como nas musicas “Sua Hora”, “Merda de Vida” e “Desigualdade”, Alexandro se torna um torturador de professores de música ao depredar as notas musicais em velocidade máxima. O contrabaixo que esta á cargo de meu ex-aluno Rafael Ramone, ou como o chamavam na sala, Pão, martela ouvidos mais desavisados... Isso não quer dizer que Rafael não domine o instrumento, muito pelo contrário!!! Pela velocidade absurda de “desigualdade”, em seus mínimos 25 segundos, da pra notar o contrabaixo “sangrando” seus graves. E como o coração de uma banda é a bateria, não poderia deixar de falar de Josias que sacrifica sua bateria como se fosse um homem de cro-magnon (e isso não é insulto!!!), como pode-se notar em “sou eleito”, uma singela homenagem á um tipo de profissonal brasileiro, e na já comentada “desigualdade”.
As letras do P.C.D. são um caso á parte... misturando uma boa parte de protesto social, certa ironia e até sarcasmo(no bom sentido, é claro), os garotos de boa esperança mandam seu recado sem meias-verdades. È o que se faz de mais tradicional, e por que não, revolucionário, dentro do punk rock. Musica de três acordes que serve para acordar um povo e uma nação, com a sonoridade bravia e poesia primal. E, sinceramente, o Pão Com Durex esta fazendo bem o seu trabalho de “acordar” esta nação... duvida? Termino esta resenha com uma letra da banda:

Será que vai ser sempre assim?

Não acredito no que estou vendo
Tanta violencia acabando com o mundo
Vejo pessoas sem ter o que fazer
Vejo pessoas querendo morrer

Cada vez mais a ignorancia aumentando
Cada vez mais a miséria crescendo
Pessoas não tem onde morar
Pessoas não tem o que comer

Será que vai ser sempre assim? x4

Revolta!

Arte Alternativa - NIRVANA



Desenho digital elaborado pelo meu grande amigo Rodrigo Ramos. Além de criar imagens desse tipo, Rodrigo é editor do blog PORTAL PINK FLOYD. Não deixe de visitar em http://portalpinkfloyd.blogspot.com/


P.S. Clique na imagem para amplia-la.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SHELTER – O Hardcore Em Nome De Krishna




Formada no inicio dos anos 90 na cidade de Nova York por Ray Cappo e John Porcell, a banda SHELTER foi responsável pelo surgimento do Krishna-Core, o hardcore com influências orientais relacionadas ao hinduísmo, principalmente no que se refere às letras das músicas. Ray e Porcell eram oriundos da seminal YOUTH OF TODAY, banda que se tornou um dos ícones do movimento straight edge e do hardcore nova-iorquino, escrevendo uma história à parte dentro do punk norte-americano: a busca por uma vida saudável e positiva, longe das drogas e da postura “procure e destrua” que nutria as gangues da época.
O SHELTER surgiu um tempo após o fim da YOUTH OF TODAY, e ao que parece, foi uma resposta ás perguntas existenciais que nortearam Ray Cappo neste momento. Ele fez uma viajem á Índia, e ao se deparar com a cultura hindu e todo seu misticismo, encontrou certo conforto espiritual nesta religião, ao qual se converteu e desde 1988 faz parte do movimento Consciência de Krishna. Paralelamente, Porcell sentia-se como um peixe fora d água, e em inúmeras entrevistas o guitarrista menciona este sentimento como um propulsor para sua conversão ao hinduísmo. Mesmo Porcell participando ativamente do Shelter como guitarrista, a banda sempre foi um projeto pessoal de Ray Cappo, que conseguiu traduzir de modo mais abrangente todo seu sentimento em relação ao mundo em que vive através das letras espiritualizadas e críticas.
Lançando seu primeiro álbum em 1990, denominado “Perfection Of Desire, ou em tradução livre, “Perfeição do Desejo”, o SHELTER iniciava seu percurso musical baseado na filosofia hindu dentro do hardcore. Algo realmente surpreendente, ao passo que as bandas não se preocupavam em analisar filosoficamente as questões existenciais humanas nesta época, e onde o grupo de Ray Cappo foi precursor. Musicas como “Society Based On bodies”(“Sociedade baseada em Corpos”), que questionam o sexismo exarcebado da sociedade machista e patriarcal e o arrefecimento do corpo perante á alma, bem como a canção homônima “Shelter”, quase uma oração dentro de uma batida fortemente marcada pela bateria, já demarcavam qual era o lugar á ser ocupado por esta banda dentro do heterogêneo mundo do hardcore. Vale a pena registrar que Cappo (Vocal),Todd Knapp (guitarra), Tom Capone (guitarra) , Dave Ware (Contrabaixo) e Bill Knapp(bateria) eram todos monges nesta época, e viviam em Nova Yorque. Os discos seguintes, “Quest For Certanity”(“Busca Por Segurança”) e “Attaing The Supreme”(“Atingindo O Supremo”), ainda é bem calcado na busca espiritual dos integrantes. È em “quest For Certanity” que John Porcell entra como membro efetivo da banda, sendo que também vivia como monge.
Era o inicio dos anos 90 e o SHELTER já consolidava seu nome dentro do movimento alternativo, fazendo turnês nos estados unidos dentro de um furgão velho. Realmente, quem já fez parte da cena hardcore sabe o que é viajar em condições não muito confortáveis, junto com um bando de garotos ávidos por tocar sua musica rápida e pesada pra um publico... hardcore! Com a gravação do quarto disco em 1995, denominado simplesmente de “Mantra”, o SHELTER torna-se mundialmente conhecido pela superexposição que o álbum obteve na mídia musical. Pessoalmente, considero “Mantra” um dos discos mais fabulosos gravados por uma banda de hardcore, pois uniu o som pesado com as questões individuais, existenciais e humanitárias que a banda já tratava em seus álbuns anteriores, mas conseguiu transcender em musicas como “Message of Bhagavat (“Mensagem do Bhagavat”) inspirado no milenar livro Bhagavat Gita , Here We Go” (“Aqui vamos Nós”) uma canção que tenta retratar o amor conjugal,“Empathy”(Empatia) que explana o conceito de empatia pelo outro e o confronto com o egoísmo humano; e a canção tema “Mantra”, esta mais melódica do álbum e evocando o mantra Hare Krishna. Essa “superexposição” ou “sucesso comercial” trouxe o SHELTER para tocar no Brasil em 1996 em São Paulo, Santos Recife, Curitiba entre outras; e em 1998 retorna em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Não é de se espantar que a banda, super-natureba, se esbaldou com as frutas e se declararam fãs de açaí!!!
A formação à partir de “Mantra” se estabiliza em Ray (vocal), Porcell (guitarra) , Adam Blake (Contrabaixo) e Dave DiCenso(bateria). Com esta formação será gravado no ano de 1998 o álbum “Beyond Planet Earth”(“Além do Planeta Terra”... eles estão cada vez mais introspectivos, não concorda ?!?) um disco que causou certo desconforto em fãs mais radicais pelos experimentalismos da banda. As influências musicais começam á aflorar neste trabalho, onde o surpreendente ska “Alone on my Birthday”(“Sozinho No Meu Aniversário”) pontua novos elementos musicais na banda. “Revealed in Refletion” (“Revelado em Reflexão”) é uma canção temática da banda em suas aspirações hindus. Mas o que irritou os fãs mais radicais foi a mixagem de “Man or Beast?”(Homem ou animal ?), que contou com uma versão mais techno
O século XXI traz o trabalho “When 20 Summers Past”, ou “Quando Vinte Verões Se Passarem”, trazendo o SHELTER mais conciso em suas músicas, realmente mais introspectivos que o disco anterior. “In the van Again” (Na van novamente) é uma música que relembra os tempos de furgão velho da banda que mencionei acima e o videoclipe ficou interessante. Na verdade, lembra mesmo os velhos tempos de se organizar shows(e que continuam hoje do mesmo jeito...). Destaco a música “Song Of Brahma” (Filho de Brahma”), onde Ray Cappo relata um incidente acontecido em um show na cidade de Bufallo nos E.U.A. em que ocorreu atos violência por parte de integrantes de uma gangue local.
Após a saída amigável de Porcell, a banda foi reformulada. A esposa de Cappo, Sri Kesava, assumiu a guitarra ritmica, e a guitarra solo ficou á cargo de Supregrass, um jovem de apenas vinte anos de idade. Sean Sellers foi escalado para a bateria e Dave Dicenso permaneceu no contrabaixo. Assim, a banda ressurge mais melódica e com uma sonoridade mais suave que nos discos anteriores. O disco “The Purpose, The Passion”(O propósito e a paixão”) traz á tona composições como “The Greater Plan”(“O grande Plano”) calcada no desejo que cada ser humano tem em si. Destaco também “Working Miracles”(“Realizando Milagres”), sobre a esperança de se encontrar algo sagrado na vida. Pessoalmente me identifico com ‘The Anatomy Of Us”(“A Nossa Anatomia”) e seu último verso...“Quando você construir uma casa com fundação de pedra , Ela será forte para a vida toda...”
“The eternal” (“A Eternidade”) é até agora, o ultimo álbum da banda. Ken Olsen é convidado para entrar como guitarrista, sendo que participa também de outro projeto musical de Cappo, BETTER THAN A THOUSAND. Lançado em 2006, é um paralelo entre todos os álbuns do SHELTER, com sua sonoridade hora melódica hora agressiva.
A música alternativa sempre teve a característica de aglutinar elementos que fossem um tanto quanto estranhos e ao mesmo tempo singulares, como no caso do SHELTER. Unir elementos da cultura hindu com o a musica ocidental demonstra que vários caminhos podem ser abertos e seguidos dentro do rock alternativo, quando se propõe á fazer musica honesta, pesada e diferente.
Hare Krisna!