Imagine uma banda que foi formada no dia 12 de maio de 2012 e gravou seu primeiro cd no dia 29 de maio deste mesmo ano... Qual o motivo de tanta pressa ?? Será por isso que a duração do cd é de 9 minutos e 20 segundos ?? Ou será por que o Maldita Minoria é uma das bandas mais aclamadas e com o albúm mais esperado dos ultimos tempos, e por isso tiveram a necessidade de gravar este cd tal qual a velocidade do "katrina" ?? Eu fico com a segunda opção... "E quem disse que eu Morri ???" é o nome desse petardo sonoro !! E que petardo... faz tempo que não escuto um cd de hardcore tão rápido e preciso, seja na duração das músicas ou nos temas abordados pelas letras instigantes que são berradas por Nenê Altro, guitarradas por Diego Rocha, marteladas no baixo de Fernando Santoz e arrrebentadas pela bateria de Nino Tenório !! 10 músicas em menos de 10 minutos, com a destreza de quem está no meio da cena hardcore há mais de 20 anos...A primeira música do cd dá nome à banda e é um libelo de uma geração que não se contenta com os males da sociedade capitalista, preferindo ficar à margem do sistema e resistindo com os meios da cultura alternativa... eu me arrisco à dizer que essa é a "punks not dead" deste disco !!! 34 segundos de massa musical bruta e catástrófica... A crítica do Maldita Minoria não fica apenas contra o capitalismo e seus asseclas. As músicas "Menos Punk","Burro Pior", "Marginal de Merda" e "Não, Eu Não quero Tocar No Seu Festival fodão Nem Fazer Parte de Sua elite Idiota" remetem ao radicalismo imberbe e inodoro do movimento alternativopunkanarcopequenoburgês que assola a cena atual. Letras de sensibilidade poético-punk bem ao estilo de jello Biafra, que nos anos 80 escreveu "Nazi Punks Fuck Off" e tem tema bem semelhante à "Marginal de Merda". A crítica contra a religião, clássica no meio punk e ainda alinhada ao discurso de Piotr Kropotkin está presente em "777 Picas No seu Cú" enquanto as canções anti-consumo "Consuma até Morrer" e "Zumbis Produzem, Zumbis Trabalham" seguem fiéis à cartilha anarquista com backing vocals de Nicolle Terrorzinho, esposa de Nenê, na primeira. Ainda em folêgo incrível, "Some da Minha Vida" tem uma pegada de Punk Inglês, tanto no tema quanto na sonoridade Varukeriana(se é que posso dizer desta forma...) e a "Agora Mais Do Que Nunca, Tosco Till Death" leva à cabo a capa belíssima deste trabalho, ou seja, fiel às raízes até o fim, e sem ser radical sem causa... A sonoridade do Maldita Minoria evoca os bons e velhos tempos do hardcore rápido e sem firulas dos anos 80. Ouço ecos de D.R.I., Ratos de Porão da fase "Descanse em Paz", Lobotomia, Nuclear Assault, S.O.D. e por aí vai... Mas falar destas bandas é pouco pra relatar a experiência de ouvir o cd do maldita Minoria, que tem sua sonoridade própria, rasgada e barulhenta !! Recomendo !! Escute sem moderação !!! PS. Ser você ouvir "E quem disse que eu Morri ???" no ultimo volume vai ter uma bela discussão com os vizinhos, pode ter certeza !!!! PS 2.Para comprar o cd, escreva pra esposa do Nenê, Nicolle Terrorzinho e garanta já seu petardo !! São R$ 15,00 junto com correio, e se voce for rápido no gatilho, ainda fatura um número do PEST ZINE do Nenê um esclusivo Botton da Banda. O e mail de contato é terrorzinho.wordpress@gmail.com
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Maldita Minoria - "E quem disse que eu Morri ???" -Resenha
domingo, 17 de junho de 2012
MALDITA MINORIA
Maldita Minoria é o mais novo petardo do Hardcore/punk nacional !! Seus integrantes vieram de bandas como Personal Choice, MACE E Jello Viagra e fazem um Hardcore pesado e barulhento como todo bom som deve ser. Nenê altro, vocalista da banda está divulgando o cd da banda que já esta na fábrica, sendo nesta primeira leva 200 cópias. Portanto, se voce quiser reservar o seu, escreva pra esposa do Nenê, Nicolle, e garanta já seu petardo !! São R$ 15,00 junto com correio, e se voce for rápido no gatilho, ainda fatura um número do PEST ZINE do Nenê um esclusivo Botton da Banda. O e mail de contato é terrorzinho.wordpress@gmail.com Confira neste vídeo a barulheira do Maldita Minoria !!!!

domingo, 20 de maio de 2012
JOEY IS A PUNK ROCKER !!!!!!
Se Joey Ramone estivesse vivo, completaria hoje 61 anos de vida. Um dos ícones máximos do punk rock norte-americano, é inegável sua importancia neste estilo musical, além de ter influenciado milhares de caras e minas pelo mundo afora à gostar de rock barulhento, usar jaqueta de couro surrada e tenis all star mais surrado ainda... E eu sou um destes caras!!
Jefrey Hyman nasceu no dia 20 de maio de 1951 em um bairro chamado Queens em Nova York. Lugar barra pesada, cheio de gangues e de confusão, dizem por aí as más línguas. Mas também, o Queens é um celeiro do punk americano, aglutinando tanto o movimento punk quanto straight edge dos anos 80 do século XX.
Joey era um sujeito aficcionado por Rock And Roll clássico, Surf Music e Glam Rock. O primeiro estilo esta mais ligado ao som de Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones, grandes influências para ele.O segundo tem seu lugar os Beach Boys e Jan e Dean, e serei enfático: É a maior influência do som dos Ramones. Embora a surf music seja “praieira” e os petardos ramônicos urbanos demais, não dá pra não perceber os toques deste estilo. Terceiro, e não menos importante, o Glam Rock de Tiranossaurus Rex colocou Joey no mundo do rock, pois o músico sempre declarou ser muito influenciado por Marc Bolan, vocalista e guitarista do T. Rex.
Joey fundou os Ramones juntamente com Johnny Ramone, Dee Dee Ramone e Tommy Ramones, todos rebatizados com o pseudônimo que Paul MacCartey utilizava quando se hospedava em algum hotel, para não ser pertubado pelas milhares de fãs que o perseguiam. Este fato gera controvérsias, mas em algmas entrevistas, inclusive televisivas, Joey afirmou ser este mesmo a origem do nome da banda.Anos depois, Marky, Richie e C.J. Ward fariam parte desta família Ramone... como próximos músicos, depois da formação original.
Os Ramones são consideradas a primeira das bandas punks, e isso também gera controvérsias, mas se punk rock é música básica e barulhenta, letras despretensiosas e simples, retratando o cotidiano urbano, não há nada mais punk que isso.
Sinceramente, não sei o que seria do punk se esse cara não tivesse sido quem foi. O estilo é inconfundível, seja comportamental ou musical, e Joey deixou sua marca na história da música contemporânea. Como escrevi antes, ele cunhou a tipologia da vestimenta punk, das jaquetas de couro, calça jeans rasgada e tenis velho. Junte isso ao cabelão que ele cultivou por muito tempo, e já dá pra se ter uma ideia do visual ramone. Ah, sem esquecer o cabelinho de tijela de Jonnhy e Dee Dee, mas iss é outra história...
Mas não é só na moda que Joey fez a história do punk. Seu jeito de cantar, parado em frente ao palco, levantando a mão, enquanto os outros três Ramones detonavam os três acordes virou a marca registrada da banda. Aliado à isso, não podemos esquecer que músicas como “Beat On The Brat”, I Wanna Be Your Boyfriend”,” The KKK Took my Babe Away”, “Ignorance Is Bliss”, “Censorship”, só pra citar algumas dentro do vasto repertório ramônico, foram escritas por Joey. Suas letras, alías, são o grande diferencial e outras bandas, pois há muito de cultura trash, humor, política e temáticas puramente adolescentes. Aliás, creio que Joey sentia-se mesmo como um moleque, mesmo depois dos 40 anos... De certa forma, ao ouvir suas músicas, somos transportados para esse mundo de Joey, onde circulam rocks singelos dos anos 50, revistas em quadrinhos, filmes B, psicodelia dos anos 60 e um aguçado senso político, embora ele não fosse tão engajado quanto Jello Biafra dos Dead Kennedys, não era menos crítico da sociedade e de suas mazelas.
Joey lutou por quatro anos contra um cancer linfático, e faleceu no dia 15 de abril de 2001. Entre as personalidades que prestaram suas condolências estavam Deborah Harry, vocalista da banda Blondie; e Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam. Em 2003, as ruas 2nd e Bowery passaram a se chamar “Joey Ramone Street” em homenagem ao músico. Roger Miret, lendário vocalista da banda Agnostic Front, prestou sua homenagem aos Ramones na música de mesmo nome em seu Projeto solo “Roger Miret and the Disasters. Lemmy Kilmister, do Motorhead, já havia composto música semelhante no ano de 1991, no albúm intitulado "1916".
Para mim, Joey Ramone foi mais do que um vocalista de banda. Foi, e ainda é, uma das minhas maiores influencias, e ainda me recordo da primeira vez que ouvi os ramones, em um dia ensolarado de setembro de 1992, quando comprei o LP “Mondo Bizarro” e ouvi pela primeira vez a banda. A partir dalí, surgiu um vórtice, uma espécie de buraco negro, que me tirou do marasmo adolescente e me jogou no movimento punk, do qual eu participaria efetivamente durante anos de minha vida. As canções dos Ramones, com tres acordes e muita barulheira,me fizeram companhia nesta fase tão estranha e absurda da adolescencia... mas de maneira intensa, cheia de energia e de garra de viver!!! Como os três acordes devem ser...
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A GAROTA QUE ODIAVA O SISTEMA: UMA ANÁLISE DE LISBETH SALANDER SOB A ÓTICA HARDCORE PUNK
Imagine uma garota pequena, de 1.50m, andando pelas ruas da cidade vestida de preto,com piercings adornando o rosto, maquiagem pesada e olhar embrutecido. Ela caminha pelas ruas como se ao redor dela nada existisse, e se existe, ela tem uma atitude “Tô pouco me lixando” para o que quer que seja. Não, você não esta em Londres no ano de 1977. Também não esta na Finlândia em 1982 em um show do KAAOS. Tampouco está em São Paulo nos anos 80. você provalvelmente esta e casa lendo estas palavras e a garota em questão esta dentro de um livro. Se você não sabe, o nome dela é Lisbeth Salander. Ela é fruto da imaginação de Steg larson, criador da série Millenium, que além de livro também virou filme. Mas não quero me ater à crítica literária, pois eu mesmo não li o livro. Mas vi o filme. Também não quero me ater à crítica cinematográfica. Na verdade, estou intrigado com o impacto de Lisbeth em minha percepção cultural desde que vi o segundo filme da série, “A Menina que Brincava com Fogo”.
De repente, a figura pequena e frágil de Lisbeth me retoma aos anos clássicos que vivi na União Libertária de Minas Gerais, uma seccional do movimento anarquista mineiro que participei nos anos de 1992. De repente, vi que naquela figura puramente estética e singular, havia o germe daquilo que naqueles anos eu conheceria como Movimento Punk. Ou melhor, Anarco-Punk. Roupa preta, Correntes, cara de poucos amigos, música barulhenta e rápida, braceletes e por aí vai. Estética. Coisa que na época eu não admitira nunca. Era um protesto visual. Um protesto contra o sistema estabelecido. Eu e muitos amigos, alguns de longa data, outros nem tanto, éramos adeptos deste ideal. De certa forma, ainda sou. Mas mudou algo crucial. A estética. Mas isso não vem ao caso.
A questão é que Lisbeth Salander também odeia o sistema. E além de odiá-lo, luta contra ele. Em 1994 haviam fanzines e panfletos xerocados e distribuídos nas ruas de qualquer cidade ou show de punk rock. Hoje, a internet se faz muito mais presente. Lisbeth é uma hacker, faz seu “modo protestandi” pelas teclas. Ela não parece mais acreditar nas instituições de nosso malfadado sistema capitalista. Mas talvez ela não tenha utopias. Seu movimento me parece mais pessoal, individual, assertivo. Que se encontra com outras pessoas, pois todos somos coletivizados, embora nem sempre o coletivo funcione.
Lisbeth é uma punk rocker do século XXI. Creio que em seu ipod ela deva ouvir Atari Teenage Riot e Ministry. Também escuta The Eploited, pois não deixei de perceber uma cena em que ela esta com a camiseta de “beat the bastards” dos escoceses. Beat the Bastards. Arrebente os bastardos. Nada mais punk que isso, não ? Mas retornando à Lisbeth, há algo a mais em sua atitude. Ela não pensa em mudar o mundo. Os punks de antigamente e de hoje querem mudar o mundo. Lisbeth quer viver sua vida. Quer justiça pelas atrocidades que viveu. Quer ser ela mesma. Johnny Rotten dos Sex Pistols já urrava em 1977 na música “I wanna be Me!!”. Eu quero ser eu!! Este é o dilema de Lisbeth. Um dilema shakeaspeareano de ser ou não ser, em um mundo tão globalizado caoticamente que existir em essência hoje é muito difícil. Mas não impossível. E aqui esta Lisbeth. Ela que viver sua vida, onde cada dia mais a vida parece esvair de sentido. Desta forma, creio que Lisbeth resiste. Aqui esta outro dilema, um tanto quanto existencialista. Mas não dá pra escapar da vida , não é mesmo ?
O que me encanta em Lisbeth Salander é sua resistência. Seja na era digital, seja no início do século XXI,na era das máquinas, desta matrix nossa de cada dia,seja lá o que for, Lisbeth resiste. Resiste por ser humana e por ser mulher. Resiste por que resistir já é lutar o bastante, quiçá vencer a batalha. Quanto a guerra... tanto Lisbeth como nós mesmos travamos ela todos os dias, não ?
Penso que quando a vida imita a arte, surgem personagens como Lisbeth Salander. Pode-se compará-la com outras heroínas, mas jamais iguala-lá. Nela vejo um pouco de Emma Goodman e um pouco de Maria Lacerda de Moura. Um pouco de Frida Khalo e um pouco de Evey Hammond. E mesmo sendo uma personagem fictícia, fruto da imaginação de um autor que viveu no outro lado do mundo, parece-me real. Demasiadamente. E ela está dentro de mim de alguma forma. Como também está dentro de você.
domingo, 15 de abril de 2012
True Spirit Records !!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
NO WTO COMBO - JELLO BIAFRA

O NO WTO COMBO foi uma banda formada por jello Biafra, o mítico vocalista da banda Dead Kennedys juntamente com alguns "pesos pesados" do rock alternativo americano: Krist Novoselich (ex baixista do Nirvana e atualmente senador de um partido de esquerda nos EUA), Kim Thayl( ex guitarrista da banda grunge Soundgarden) e Gina Mainwall(baterista da banda Sweet 75 de Novoselich).

O objetivo deste "combo" foi tocar nos protestos de seatle que ficaram conhecidos como "A batalha de Seattle" que ocorreram no ano de 1999, e que mobilizaram vários manifesatantes nos EUA. Quando não se esperava uma reação ao capitalismo, eis que na terra onde ele é mais venerado surgem grupos de resistência aos seus abusos.
O disco que esta disponível para download "Live From The Batlle of Seattle é um registro histórico da noite de 1º de dezembro de 1999, quando o NO WTO COMBO se apresentou no The Central Tavern.
O disco que esta disponível para download "Live From The Batlle of Seattle é um registro histórico da noite de 1º de dezembro de 1999, quando o NO WTO COMBO se apresentou no The Central Tavern.
Link para download do disco:
http://www.mediafire.com/?hvzwt0qmtey
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
EM HOMENAGEM À REDSON LOPES POZZI - 1962 - 2011

Na madrugada de terça para quarta feira, Edson Lopes Pozzi, mais conhecido como Redson, vocalista, guitarrista, letrista, agitador cultural, pacifista e integrante absoluto da banda CÓLERA, faleceu de insuficiência cardio-respiratória. Esta noticia me emocionou ao ponto de chegar as lágrimas, várias vezes ao dia, ao lembrar da importância que as músicas de Redson e de sua banda tiveram em minha vida. Sofri um luto, como se tivesse perdido um amigo, como se alguém muito próximo de mim tivesse falecido. Mas acho que seja isso mesmo, pois a música, a arte, a intencionalidade de causar sensações e vivências através das ondas sonoras de acordes que transitam entre tremer os decibéis e ao mesmo tempo levar uma mensagem de paz e de luta aos nossos ouvidos e corações, nos faça ser próximos mesmo. Não há o que explicar na dor de perder alguem que admiramos, e isso foi o que senti ao saber da noticia passada via internet pelo meu velho camarada de tempos da União Libertária do sul de Minas Gerais, Alex Batista, que tenho certesa, sentiu a mesma dor, a mesma frustração, o mesmo vazio que a morte nos deixa ao levar um de nós.
As músicas de Redson eram rápidas, diretas, com letras evocando um utopismo necessário àqueles que buscam um “outro mundo possível”. Não havia ingenuidade em seus “brados”, muito pelo contrário... era latente a forma como suas composições mesclavam o horror da violência imposta ás pessoas e como era vital procurar formas de resolver estas situações, ou de transforma-las, por mais que fosse dificil ou considerado impossível.

A trajetória de Redson e da banda CÓLERA na música alternativa brasileira perpassou trinta e dois anos de engajamento cultural e, por que não, revolucionário. A banda, surgida em 1979, ainda na ditadura civil-militar que assolou as liberdades individuais e solapou o Brasil na violencia de seus porões e suas torturas, era uma resposta ao estado estagnado em que a sociedade da época vivia, pois nos porões onde Redson e seu irmão Pierre mais os amigos Kino e Helinho tocavam suas primeiras composições, já havia o germe daquilo que se chamaria punk rock e hardcore no Brasil. Não considero exagero relacionar a existência da banda CÓLERA com o início do punk neste país. Muito pelo contrário, pois é evidente a posição de luta e de organização enquanto coletivo que esta banda proporcionou no movimento. Um exemplo é o disco "Sub", que segundo Redson relatou no documentario “Guidable - a Verdadeira História dos Ratos de Porão”, o disco era pra ser um compacto do cólera mas que em ultima hora tornou-se um disco-split com as bandas PSYKÓSE, RATOS DE PORÃO, FOGO CRUZADO e o próprio CÓLERA, provando o coleguismo das bandas e a necessidade de se criar uma cena punk no Brasil.
O ativismo social, ecologista e pacifista de Redson e do CÓLERA(agora com Val Pinheiro no contrabaixo e Pierre sempre na bateria) mateve a chama do punk acesa pelos anos 80, lançando discos fundamentais para o estilo como “Tente Mudar O Amanhã”, “ Pela paz em Todo Mundo”, “Verde não Devaste”, além do registro ao vivo “European Tour”, gravado em diversos países da europa, sendo o primeiro disco brasileiro de uma banda independente lançado fora do país. Há ainda o clássico disco-split “Ao vivo no Lira Paulistana”, gravado ao lado dos RATOS DE PORÃO, e relançado há poucos meses em vinil.
Nos anos 90, discos como “Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico” e “Caos Mental Geral” foram simbolos da resistência de um moviemnto que não se cala, mesmos através dos mais variados modismos em que o rock atravessou.Val deixa a banda(ele voltaria anos depois) e Fábio assume o posto de contrabaixista, deixando como marca registrada, seus pulos no palco e sua performance cheia de energia.
E no início do século XXI, o disco “20 anos ao Vivo” passou a trajetória do grupo com suas canções-hino. O último album de estúdio, “Deixe a Terra em Paz”, como o título emblemático já denota, traz o CÓLERA mais amadurecido e mais caústico em suas composições, com a mesma preocupação e temáticas que estão na verve punk/hardcore da banda: protesto social, ecologia, denuncias das atricidades e atos de corrupção cometidas pelos políticos, a busca por uma sociedade mais fraterna.Todos os discos foram lançados pela gravadora de propriedade de Redson, a Ataque Frontal Records.
Me parece ao que falar da importância de Redson e de sua banda para o cenário hardcore/punk brasileiro, sempre fica faltando algo mais, uma informação que não foi colocada, ou um fato pitoresco a ser comentado. Mas, ao falar da grandiosidade deste músico, sempre haverão outros a contar suas histórias. Como nas mais belas e tradicionais epopéias, sempre haverá alguém, que contará as aventuras e histórias dos heróis, sejam estes do passado ou de nosso presente momento.
Os romanos usavam a expressão “Ars Longa, Vita Brevis” para simbolizar o perecimento da vida e a eternidade da arte... Traduzindo, “A arte é eterna,e a vida é breve”. Com toda certesa, a arte produzida por Redson ficará eternizada nas mentes e corações daqueles que, como eu, cresceram ouvindo suas canções. E esta arte será compartilhada com as novas gerações.
Adeus Redson... obrigado por compartilhar suas canções comigo e com todos os outros que, de alguma forma, no passado ou no presente, ouviram em quartos fechados que o mundo poderia ser maior do que é, e que as utopias são realidades benditas e necessárias.
Descanse em paz, e que Deus te acolha e suas mãos, onde quer que voce esteja agora.
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